Por que Nada de Extraordinário?

Faz tempo que quero ter um blog. Quer dizer, mais um, porque já tive vários. “Crônicas do dia a dia”, “É bom andar a pé” e até esse mesmo “Nada de Extraordinário”. Tanto o “Crônicas” como o “É bom andar a pé”, encerrei porque foram projetos que nasceram em um momento específico da minha vida e simplesmente acabaram. Já a primeira versão desse “Nada de Extraordinário” foi diferente. Na época, comecei a ir em uma coach (será que eu caí em uma balela?) e ela me convenceu de que esse nome “Nada de Extraordinário” depreciava o meu trabalho. Afinal, Nada de Extraordinário é ordinário, é bobagem, significa que eu não faço Nada de Extraordinário.

Parece confuso, né? E talvez seja mesmo, como é a vida, como são meus pensamentos. Quando escolhi esse nome foi porque eu simplesmente acho que a vida é ordinária. Não no sentido de vagabunda, sem vergonha, sem sentido, sem sucesso. Mas no sentido de que a maior parte do nosso dia é preenchido com coisas simples, do dia a dia, que todo mundo vive mas não fica alardeando pelos quatro ventos. E a minha vida sempre foi um pouco assim, ordinária. Eu morei no interior, estudei em escola pública, sempre gostei de acordar e dormir cedo, caminhar, ler, ver televisão, comer boas comidas. Nunca tive um trabalho daqueles que chamam a atenção, mas sempre trabalhei com responsabilidade. Nunca fui pra Globo, como a maioria das pessoas acham que os jornalistas vão fazer. E, confesso, muitas vezes me sinto diminuída por não ter um grande veículo ou uma grande empresa no currículo. Por outro lado, tenho orgulho de ter desenvolvido um bom trabalho nos veículos pelos quais passei, em áreas onde a maioria das pessoas não se dedica muito.

Me considero uma pessoa de hábitos simples. O problema é que eu me sinto um pouco pressionada pelo mundo e, principalmente por mim mesma, a fazer algo grandioso. E aí, quando alguém me diz que Nada de Extraordinário vai depreciar o meu trabalho, achei que a pessoa estava certa. Só que é difícil nadar contra a corrente, né? Eu continuo achando que a vida é feita do ordinário e não do extraordinário. Não só a minha, mas a da grande maioria das pessoas. E por isso, pra dar voz a esse meu lado que pensa no quanto as pequenas coisas do dia a dia são importante, resolvi reativar esse blog.

Também quero organizar meus pensamentos, ideias e dar voz a tudo que me interessa. Eu não consigo gostar só de um assunto. Eu adoro música brasileira (que foi tema do meu TCC), mas também gosto de empreendedorismo (assunto sobre o qual tenho escrito bastante lá o Projeto Draft), sustentabilidade e plantas (sobre o que escrevo lá no Verde SP), andar a pé (lembram que já tive um blog sobre isso?), desenvolvimento pessoal e meditação e, gente, preciso admitir, novelas (mas não escrevo sobre isso).

Enfim, às vezes me sinto um canivete suíço e isso nem sempre é bom. Talvez fosse mais fácil se eu tivesse um nicho específico. Mas tenho tentado praticar a aceitação de quem eu sou. E hoje eu sou essa pessoa múltipla, com alma de repórter, que gosta de vários assuntos e gostaria de escrever mais sem pensar no que os outros vão pensar.

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