A louca dos podcasts, ou o que aprendi nos 2 episódios que ouvi hoje

Acordei às 6 horas manhã, fui à padaria comprar pão, tomei café da manhã, sentei na cadeira para escrever uma matéria às 7 horas e só parei às 11 horas. Fiz almoço (tudo bem que boa parte já estava pronto, amém!), levei marmita para os pedreiros que estão trabalhando na minha casa, voltei para onde estou vivendo temporariamente e, enquanto lavava a louça, arrumava a cama e trocava a areia dos gatos, ouvi dois episódios do podcast Boa noite internet, do Cris Dias: “Quem sou eu” e “Más notícias”.

A lição que ficou foi uma só: pratique, faça, aja!

Quem sou eu

O nome deste episódio diz tudo e nada pra mim porque sou sou um pouco crica com essa história de “quem sou eu” e “eu interior”. Mas lá nos últimos cinco minutos do episódio o Cris Dias me fez refletir sobre algo que eu já sei, mas tenho enorme dificuldade de colocar em prátic:; o quanto é importante agir, fazer e não apenas pensar.

Cris conta que adora ler autobiografias para entender qual foi o raciocínio e as emoções da pessoa “para fazer o que ela fez”, mas pondera também o quanto estas autobiografias podem ser ardilosas. E a explicação pra isso é o que ele chama de engenharia reversa. “Cada vez mais os estudiosos da mente humana vão descobrindo que a ordem que as coisas acontecem é primeiro a gente faz, depois a gente monta essa tal narrativa”, ele diz.  E aí, quando essa autobiografia é a história de alguém que teve muito sucesso nos negócios ou na política, ela pode virar uma “grande jornada do herói, pra mostrar que o fim da história, o sucesso da pessoa, era uma coisa quase que inevitável, uma grande lista de obstáculos que foram vencidos. Primeiro a pessoa fez, depois montou a narrativa de como ela fez, não o contrário”.

Para ponderar essa história, ele cita o exemplo da biografia do Steve Jobs, que não foi escrita pelo próprio (portanto, não é uma autobiografia). Jobs chamou uma pessoa pra fazer a pesquisa, entrevistá-lo e também entrevistar as pessoas que conviveram com ele. O resultado é uma biografia que mostra o que Jobs fazia e como as pessoas viam isso. E aí, entra o raciocínio que me impactou. Vou reproduzir aqui:

“Eu não sou o que está dentro da minha cabeça. Eu sou o que eu coloco pra fora e como eu faço as pessoas se sentirem. Ficar analisando no microscópio cada sentimento, cada motivação só serve pra alimentar os monstrinhos da cabeça. Nenhum desses pensamentos servem pra nada se não saem pro mundo, ninguém está lendo a minha auto-biografia secreta aqui dentro, o mundo só consegue ver o que eu faço. Não adianta nada eu acreditar em uma coisa e agir diferente disso. “Seja você mesmo” é isso. Então quem sou eu? Eu sou as coisas que eu faço e como as pessoas se sentem a partir disso. O melhor jeito de fazer isso é não perder tempo dentro da cabeça, é sair dela, vir pro mundo aqui fora e fazer o máximo pra trazer coisas boas”.

Cara, eu sou essa pessoa que vive alimentando os monstrinhos dentro da cabeça. Penso demais, o tempo todo. Inclusive, esse Nada de Extraordinário é um espaço pensado pra eu sair da cabeça e escrever sobre tudo que me interessa, incluindo podcasts e as reflexões que me suscitam. Por isso, ouvir essa frase enquanto lavava a louça me impactou tanto.

Sair da cabeça e agir é um exercício. E não é fácil. Quando pensei neste texto, corri pro computador e já comecei a escrever. Porque se eu parar pra planejar ele não vai sair nem hoje, nem amanhã e nem depois. Vou pensar em milhões de coisas, em o que as pessoas vão pensar, em como o texto poderia ficar melhor, que eu poderia ler cinco livros antes de escrever para me embasar melhor, entrevistar mais 50 pessoas e por aí vai. E isso atravanca todo o processo e o que acontece é o que texto, o projeto, a ideia, o trabalho realmente ficam dentro da nossa cabeça. Então, a meta é tirar a comida dos monstrinhos e colocar tudo pra fora.

Boas Notícias

Este foi o outro episódio que ouvi. E ele me pegou por falar em otimismo e em como olhar o mundo com uma lente otimista afeta tudo em volta. Bom, eu não sou exatamente uma pessoa otimista, embora tenha melhorado bastante nos últimos tempos (hello, mindfulness!). Mas ainda sou bem catastrófica, daquelas que acreditam que se der uma cambalhota, vou quebrar o pescoço.

O que posso dizer é que isso é bem ruim porque é paralisante. O pessimismo exagerado se transforma em medo e o medo paralisa. Isso não é teoria de ninguém (pelo menos eu acho), mas é uma constatação feita a partir das minhas experiências. E quando eu me dei conta de como eu tinha/tenho medo de muitas coisas – das mais bestas (tipo virar de cabeça pra baixo) até as mais sérias (um assalto), me dei conta também de como deixei/deixo de fazer muitas coisas por causa desse pessimismo/medo. O que tenho de projeto engavetado não é brincadeira. Alguns, inclusive, já saíram, mas não porque eu fiz, mas porque outras pessoas fizeram.

Neste episódio, o Cris Dias conta que lá pelo quatro episódio do podcast ele decidiu que todos os episódios tinham que deixar o ouvinte melhor do que quando tinham chegado. E pra isso acontecer ele precisou praticar o olhar com as lentes do otimismo. Olha o que ele diz:

“Quando eu virei lá nas primeiras semanas do podcast e criei a regra de que todo programa tinha que ser otimista, tinha que no fim do episódio deixar você aí ouvinte melhor do que quando tinha entrado, eu precisei fazer isso toda semana. Domingo eu publicava um episódio e na segunda-feira já começava a preparar o próximo e procurar qual a visão otimista daquilo. Eu tinha que praticar o otimismo todo dia, eu tinha que olhar as coisas que eu fazia no meu trabalho com essa lente otimista. Isso foi virando tão automático que eu meio que fui deixando essa lente na minha cara mesmo quando eu não estava olhando pro roteiro. Eu passei a aplicar essa lente pra tudo no mundo e isso mudou tudo em volta de mim, sem querer”.

E aí vem o trecho que me pinçou e faço questão de deixar registrado aqui:

Prática é uma palavra importante aqui na nossa história, porque eu posso explicar tudo sobre otimismo pra você, que vai voltar e ouvir e re-ouvir o programa 200 vezes, mas não vai adiantar nada. Otimismo é o tipo de coisa que tem que ser feita todo dia, até virar um olhar automático pro mundo”.

De novo ela, a ação, o sair da cabeça e dos pensamentos ruminantes e fazer. Bora lá, povo, porque se não fizer, nada acontece e a nossa autobiografia vai ser uma merda (ou mentirosa!)

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