Longe do Instagram

Já tem algumas semanas que rolo bem pouco o feed do Instagram. Não foi uma decisão proposital, do tipo “vou parar de navegar nessas redes para ver o que acontece”. Tomei essa atitude simplesmente porque eu estava de saco cheio de ver tanto conteúdo.

Adoro o Instagram. Tem tanta coisa linda e interessante acontecendo por lá que não dá mais vontade de sair. Parece que a cada rolagem vai ter uma informação nova, uma loja diferente (e fofa) pra conhecer, uma mensagem edificante para pensar, uma casa linda que alguém fotografou, uma planta que eu não conhecia, uma marca nova no mercado, seja de cerveja artesanal, bolsa de couro ou acessórios para a casa.

Só que essa vida de ficar muito ligada nestas novidades (e no que os perfis dessas novidades compartilha) começou a gerar muita ansiedade. Rolar um feed como o do Instagram é navegar por mundos infinitos, por novos cenários. E é uma puta oportunidade de conhecer muita coisa. Mas tem um lado cruel nisso também que é pensar o quanto todo mundo está fazendo e compartilhando coisas incríveis, enquanto você só consegue postar foto de planta e de gato.

É claro que isso diz mais sobre mim do que sobre o Instagram em si. A rede social é uma ferramenta. A gente é que faz ela ser como é. E eu estava me sentindo um pouco mal por não ter tanto pra compartilhar, ou por achar que não tenho tanto pra compartilhar. Então, parar de ficar rolando o feed várias vezes por dia me colocou longe dessa vida de voyeur invejoso. Com isso, essa ansiedade de “ó, eu não tenho muito o que compartilhar”, se esvaiu. Por outro lado, acho perigosa essa minha atitude de “como eu me sinto inferior nesse lugar, vou sair dele”. Soa um pouco como se eu estivesse fugindo do problema, afinal, as redes sociais estão aí e são uma ferramente de trabalho, relacionamento e diversão.

Não quero me distanciar completamente desse recurso que faz parte do mundo (é sério, me preocupo muito em ser aquela velhinha que não aceita nada de novo do mundo), mas também não quero balizar a minha vida pelo que eu vejo que as pessoas estão postando.

Já existem estudos que mostram o quanto as redes sociais potencializam a ansiedade e a depressão, justamente por que as pessoas veem a vida que os outros mostram, o que nem sempre é real. E é engraçado porque por mais que eu saiba disso, já caí nessa armadilha muitas vezes.

Então, pra mim, usar menos essas redes me fez bem e, mais do que isso, tem me feito pensar no que eu quero e em como eu sou. Nunca fui tímida demais, mas também nunca fui exibida demais. Tenho uma vergonha dentro de mim, não gosto de ser o centro das atenções, mas não sou aquela pessoa que trava quando precisa falar em público. Só que não me sinto a vontade exibindo a minha vida no feed. Não é natural pra mim mostrar, por exemplo, um restaurante novo que eu descobri. Eu conto sobre o restaurante pra várias pessoas que eu conheço, posso até fazer uma matéria sobre o restaurante, mas não consigo ligar o celular lá no meio e fazer uma live.

Conheço algumas pessoas que fazem isso com uma naturalidade incrível. E a ansiosa que mora em mim acha que também precisa ser assim. Ainda mais sendo jornalista, uma profissão que vem passando por tantas transformações e, uma delas, é justamente o lidar com essa instantaneidade das redes sociais. A sensação que eu tenho é de que se eu não for essa pessoa que saca o celular e faz vídeo de qualquer coisa, estou na profissão errada (e até já ouvi isso algumas vezes). Deve existir um fundo de verdade nisso, mas fico pensando que o jornalismo existe há muito tempo e sempre teve pessoas que lidam bem com uma área ou outra. Tinha o cara da TV, o cara do impresso, o assessor, o radialista. Sou uma boa repórter, uma boa descobridora de pautas e personagens, mas não sou a melhor pessoa pra fazer lives no Instagram. Será que isso é um problema?

Por outro lado, embora eu goste de me manter um pouco mais “atrás das câmeras”, não sou fechada a esse universo que a tecnologia nos abre. Sei que os jornalistas de hoje precisam ser multiplataforma. Vou fazer stories em muitos momentos, vou continuar postando no Instagram, mas não estarei sendo honesta se me colocar no papel de digital influencer.

É até engraçado eu estar escrevendo isso, porque eu nunca fui essa pessoa. Nunca tive um feed que parecesse minimamente com o de algum digital influencer. Mas convivo diariamente com a sensação de que estou fora do lugar por não tentar ser essa pessoa. Por que, afinal, como é que se faz jornalismo hoje em dia se não for usando as redes?

Daí eu fico pensando que deve ter um monte de gente que, como eu, deve estar de saco cheio de tanta informação, tanto vídeo, tanta gente falando sobre tudo. Certamente não sou a única pessoa, nem a única jornalista a sentir isso.

Tem sido um exercício lidar com o fato de que eu vivo em um mundo de muita informação, tenho uma profissão que colabora com esse abastecimento de informações, mas não sou a pessoa que compartilha tudo que vê, ouve, pensa ou aprende. Eu tenho alma de repórter. Preciso apurar antes de falar. E aí, o feed do Instagram não dá conta do tempo necessário pra fazer isso!